quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cronicamente Insustentável ou “O importante é manter o sorriso”

Há alguns anos atrás, provavelmente em 2010, Paloma me deu de presente uma caixa de filmes de Sergio Bianchi, produzida pela Versátil Home Vídeo. Na época, assisti alguns dos filmes, mas a dinâmica da vida impediu que visse todos. Assim como ocorre com muitos livros que compro, os filmes de Bianchi ficaram aguardando o momento de se exibirem para mim.

Agora, estudioso do Cinema desde outubro de 2012, aproveitei alguns dias de solidão em casa para mergulhar na obra de Bianchi inclusa nessa caixa de filmes. São cinco longas, dois curtas e um média-metragem que foram realizados entre 1972, data de seu curta Omnibus, realizado quando estudante da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e 2005, data de lançamento do Quanto Vale ou é por Quilo?.

Bianchi é natural de Ponta Grossa, no Paraná, e estudou cinema em Curitiba e em São Paulo, onde se formou na ECA/USP. Depois de 2005, Bianchi realizou Os Inquilinos em 2009 e Jogo das Decapitações em 2013.

O programa completo durou cinco dias, mas não seguiu a ordem cronológica de realização dos filmes. No dia 12, comecei com Quanto vale ou é por quilo?, de 2005, em que Sergio Bianchi fez “uma adaptação livre do conto Pai contra Mãe, de Machado de Assis, ..., um painel de duas épocas aparentemente distintas, mas, no fundo, semelhantes na manutenção da perversa dinâmica socioeconômica brasileira”[1].

No dia seguinte, foi a vez de Romance, de 1988, que trata da “morte inesperada de Antônio César, um intelectual da esquerda que escrevia um livro no qual denunciava um escândalo internacional que envolvia autoridades políticas”. Essa trama acaba trazendo repercussões para a vida de três personagens do filme: a companheira de Antônio César, uma jornalista que buscava os originais do livro que haviam desaparecido e um amigo homossexual do intelectual. Além do longa, no DVD estão disponíveis o média-metragem Mato Eles? (documentário sobre tribos indígenas do Paraná, feito em 1982, e o curta Divina Previdência, de 1983. Os dois filmes fecharam minha  programação do dia 13.

Dia 14 foi dia de folga!

Mas, no dia 15, foram mais dois filmes: Cronicamente Inviável de 2000 e A Causa Secreta de 1994. O primeiro, “tendo como pano de fundo a vida de seis personagens ligados a um restaurante num bairro rico de São Paulo, ..., mostra a árdua tarefa de sobreviver física e mentalmente em meio ao caos da sociedade brasileira”. Aliás, quanto a este filme, Bianchi, em depoimento presente como extra no DVD, comenta que sua intenção não foi abordar a inviabilidade do Brasil, mas sim tratar da inviabilidade de forma geral. Seu comentário se deve, segundo o próprio Bianchi, ao grande número de comentários que surgiram à época do lançamento do filme, associando-o a uma crítica ao Brasil. A Causa Secreta é mais uma adaptação livre do conto de Machado de Assis e mostra a preparação de uma nova peça de teatro por um grupo de atores que faz pesquisa sobre a dor na sociedade. “Nas filas dos hospitais e nas próprias ruas, eles encontram um sentimento cada vez mais indiferente à dor e à humilhação dos marginalizados”. Em depoimento Bianchi comenta sobre a questão da falta de solidariedade como um tema presente nesse filme que, em minha opinião, o aproxima muito de Cronicamente Inviável.

Por fim, hoje, dia 16, concluo a imersão na obra de Sergio Bianchi com mais um longa e dois curtas, do começo da carreira do cineasta. Maldita Coincidência, de 1979, é um filme construído sem roteiro e de forma artesanal. Foi o primeiro longa realizado por Sergio Bianchi. “Não há aqui uma história, mas sim uma situação: um casarão abandonado no centro de São Paulo, cercado de lixo e ocupado pelos tipos mais estranhos. A partir daí, em esquetes, várias cenas da vida de cada um. Esses personagens representam diferentes facetas da sociedade brasileira do final dos anos 70”. No mesmo DVD, dois curtas do começo da carreira de Bianchi: Omnibus (1972) e A Segunda Besta (1970). O primeiro curta, trabalho realizado para a Escola de Comunicação e Artes da USP é um digno exemplar do cinema-poesia. O segundo é uma adaptação de conto de Júlio Cortázar, visualmente muito bonito, todo em preto e branco. Nesse curta, aparece, creio que pela primeira vez, algo que vai ser uma presença constante nos filmes de Bianchi: o nú masculino.

Os três filmes dos primeiros momentos da carreira de Bianchi são testemunho e, de certa forma, prenunciavam a forma de fazer cinema que caracterizaria sua obra ao longo dos anos. Uma estética cuidadosa, onde não há espaço para o cinema apenas como entretenimento, mas sim, o cinema como uma forma de arte que sendo poética, é, ao mesmo tempo, capaz de provocar nos espectadores muita reflexão.

Sem compromisso com a apresentação de soluções, já que não é este o papel da arte, os filmes de Bianchi que assisti nesses dias formam um conjunto coeso e altamente orgânico onde o prazer visual se junta a um desconforto racional (ou ético?), provocando o espectador sobre questões relevantes que não são apenas brasileiras, mas da humanidade como um todo.

De certa forma, os filmes de Bianchi são consistentes com o exposto em Dialética do Espectador, de Tomás Gutiérrez Alea, para quem a relação espetáculo-espectador é de natureza dialética, contrapondo razão e emoção, levando “a um enriquecimento espiritual do espectador e um maior conhecimento da realidade, a partir de uma experiência – uma vivência – estética” (p. 87), mas também estimulando uma visão crítica e novo posicionamento deste em face da realidade que o envolve.

Fade out! Flashback para meados de 2012:

Na Universidade Federal do Paraná, entre junho e julho de 2012, participo de concurso para Professor Titular do Departamento de Administração Geral e Aplicada do Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Sou bem sucedido no concurso e começo mais uma etapa de minha carreira acadêmica, como Professor Titular de Inovação e Sustentabilidade.

Na tese que escrevi para o concurso, discorro sobre a centralidade da inovação e da sustentabilidade para a administração das organizações contemporâneas. Apesar de ao longo da carreira acadêmica ter abordado em leituras ou escritos próprios a questão da sustentabilidade sob o ponto de vista da Administração enquanto campo de conhecimento, essa tese foi meu primeiro esforço mais sistematizado para tratar da questão.

Minha abordagem da sustentabilidade na tese pode ser resumida como uma visão quase que desconfiada, beirando a descrença, apesar de alguns discursos quase messiânicos que se encontram na literatura sobre o tema. Meu principal argumento para este olhar, que não é cínico, mas talvez incrédulo, baseia-se, entre outras coisas, na seguinte ideia que reproduzo do texto original de minha tese:

“Deve-se esclarecer que não se questiona a validade normativa dos preceitos defendidos pelos estudiosos da sustentabilidade. O ponto em questão é que os limites de sua aplicabilidade devem ser reconhecidos em uma sociedade humanocêntrica, por um lado, e egocêntrica por outro. Portanto, a defesa que se faz da necessidade de abordar a sustentabilidade como aspecto integrante de teorias intermediárias de explicação no âmbito da gestão das organizações está associada à compreensão de que as organizações encontram-se inseridas em um sistema maior, de cunho capitalista, que reproduz em seus subsistemas características que lhe são determinantes, em especial, no caso das organizações de mercado, a busca pelo lucro e a competição. Esse sistema permite, à sua margem, a existência de organizações não predominantemente orientadas pelo lucro e competição, por exemplo, cooperativas e organizações de economia solidária. Mas, essas serão sempre marginais ao sistema, no sentido de representarem parcela ínfima dos resultados sistêmicos.”

Fade out. Dias atuais:

Avançando para a conclusão desse texto, devo confessar que fiquei em dúvida de onde o publicaria. Há algum tempo mantenho dois blogs onde registro livremente meus comentários sobre Administração, Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (www.3es2ps.blogspot.com) e sobre Cinema (www.leiturasemcinema.blogspot.com). 

Ao longo da reflexão que venho fazendo sobre os filmes de Bianchi, vejo que assisti-los me fez constatar que ainda tenho uma tarefa a realizar nesse estágio de minha carreira acadêmica. E essa constatação trouxe, como consequência lógica, a decisão de publicar o post no blog do grupo de pesquisa que foi criado no ano passado.

As leituras iniciais que fiz sobre a discussão da sustentabilidade me demonstraram a existência de dois campos opostos, que citei em minha tese de Professor Titular, a partir de Veiga (2008) que comenta sobre a posição de Ignacy Sachs em seu livro Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável, afirmando que Sachs é quem melhor soube evitar simultaneamente o ambientalismo pueril, que pouco se preocupa com pobreza e desigualdades, e o desenvolvimento anacrônico, que pouco se preocupa com as gerações futuras (VEIGA, 2008, p. 171). Assim, a sustentabilidade fundamenta-se na harmonização de objetivos sociais, ambientais e econômicos, sendo que do ponto de vista ecológico e ambiental, é a busca pela preservação do potencial da natureza para a produção de recursos renováveis, o estabelecimento de limites ao uso de recursos não renováveis, e respeito e consideração para a capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais, baseando-se no duplo imperativo ético de solidariedade sincrônica com a geração atual e de solidariedade diacrônica com as gerações futuras (VEIGA, 2008, p. 171).

É nesse contexto, que visualizo uma tarefa por realizar, em um período que se estenderá por oito anos e meio. Nesse tempo, além de continuar o desenvolvimento da abordagem das configurações no estudo do empreendedorismo e da estratégia em pequenas empresas, deverei fazer esforço semelhante sobre a sustentabilidade.

Os filmes de Bianchi não me apontaram soluções, mas reforçaram meu sentimento de que a compreensão dos limites da sustentabilidade como prática de gestão das organizações é condição necessária para uma efetiva transformação da sociedade em que vivemos.

Espero conseguir atrair alguns jovens que estejam com vontade de se debruçar sobre o assunto. Vai ser uma aventura onde se misturarão leituras, filmes e vida nas organizações!

Alguém pode se perguntar: E depois de oito anos e meio?

Aí meu caro, será o começo de uma nova carreira para mim: o Cinema. Aos poucos, vai ganhando prioridade no meu coração!

Mais uma pergunta?

É. Por que o importante é manter o sorriso?

Estava esquecendo! Esta é uma frase dita por um dos personagens de Maldita Coincidência. Pode significar que face ao impossível, deve-se manter o sorriso. Acho que tem alguma coisa a ver com sustentabilidade, não acha?

Referências

Alea, Tomás Gutiérrez Dialética do espectador: seis ensaios do mais luareado cineasta cubano. São Paulo: Summus, 1984. 114p.

VEIGA, J. E. da Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2008.






[1] A descrições dos filmes foram extraídas da caixa de filmes organizada pela Versátil Home Vídeo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Projetos de Pesquisa

Beatriz Barreto Brasileiro Lanza

Projeto: Modelo de negócios para projetos em governo móvel

Resumo:
O Brasil tem mais usuários de telefonia móvel que a população em todos os segmentos da população. Esta infraestrutura pode servir de canal de comunicação de mão dupla, entre o governo e o cidadão, especialmente ao cidadão de baixa renda, pois o número de aparelhos pré-pagos representa 78,37% do total de telefones (TELECO, 2013). No entanto pesquisas demonstram que o Estado, nas três esferas de governo, vem timidamente explorando os canais eletrônicos móveis para se relacionar com os cidadãos, com as empresas e com a sociedade. A literatura disponível, não provê uma base teórica consistente sobre diferentes modelos de gestão de projetos de mGov praticados pelos governos. Também não se encontram registros históricos de como se deu a construção do processo de gestão e qual a participação dos atores neste processo. Parece compreensível que exista esta lacuna, até porque o uso de mGov ainda é novo no Brasil e no mundo. Em estudo recente, no Estado do Paraná, Governo referência para o país em projetos de Governo Móvel, sugere que projetos dessa complexidade não prosperaram pela falta de alternativas de modelos de negócios (LANZA; CUNHA, 2011). Assim, o objetivo desta pesquisa é diagnosticar as opções críticas de projetos corporativos utilizando esta tecnologia, entender o seu inter-relacionamento, combiná-los e, então sugerir modelos de negócios para mGov. Para realizar esta pesquisa, utilizar-se-á como embasamento: Reforma do Estado e Governo Eletrônico, Governo Móvel, Método Histórico, Teoria de Redes e Teorias de construção de Modelos de Negócios.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

2a Reunião do Grupo - Mulheres Empreendedoras

Pauta: 
- Mulheres Empreendedoras
- Atualização dos dados dos membros do grupo
- Assuntos Gerais

Boas vindas
O líder do Grupo Professor Gimenez deu as boas vindas a todos os membros do grupo e explicou a motivação da pesquisa.

Mulheres Empreendedoras
Objetivos da pesquisa:
Revelar a autopercepção como empreendedora ou dirigente empresarial dessa mulheres e o significado que atribuem ao papel de empresária.

Formas de coleta de dados:
1) Grade de Repertório (Modelo Mental - elementos e constructos)
2) Entrevista semi-estruturada (história de vida, trajetória, significado de ser empresária, etc)

Atualização dos dados dos membros do grupo
Foi discutida o processo de atualização dos membros do grupo, sendo que a Bia vai pesquisar no Diretório CNPq os emails correspondentes e Gimenez fará uma checagem geral dos membros que permanecerão no grupo.

Contribuições
- Jane - utilizar o Gustavo para analisar as entrevistas desta pesquisa
- Cleverson - Luiz Gabriel poderá também contribuir com o elemento "identidade".

Pauta para a próxima reunião - 18 de novembro
- Apresentação sobre McLelland (Gimenez)

Tarefas
Jane - falar com Gustavo sobre o início da análise
Cleverson - falar com Luiz Gabriel 

Presentes
Fernando Gimenez
Jane Mendes Ferreira
Beatriz Barreto Brasileiro Lanza
Janaina Passos (ausência justificada)
Juliana Conceição Noschang
Luciano Minghini
Luiz Eduardo de Araujo
Ricardo Enrique Pütz
Vinicius Atz

domingo, 13 de outubro de 2013

O significado de ser empresária

Passei dois dias fazendo o relatório de um projeto de pesquisa sobre mulheres empresárias. Tivemos a participação de quinze mulheres com empresas sediadas em Cascavel, Curitiba, Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Esse esforço de pesquisa foi feito por uma equipe que envolveu, além de mim: Jane Mendes Ferreira,  Simone Cristina Ramos, Juliana Noschang Costa, Mario Nei Pacagnan e Karla Brunaldi.

Nossos objetivos foram, entre outros, revelar a autopercepção como empreendedora ou dirigente empresarial dessa mulheres e o significado que atribuem ao papel de empresária. Ao finalizar essa tarefa, me dei conta que aprendi muito com essas mulheres. É impressionante como conversar com elas sobre o que fazem e por que fazem, nos ajuda a compreender que a prática empreendedora e empresarial pode ser tão diversa, complexa e quase impermeável à um explicação teórica muito abrangente. São tantas as questões envolvidas no fazer empresarial dessas mulheres, que ao me dar conta delas, percebo a grande limitação dos modelos teóricos do campo do empreendedorismo.

Ao longo dos últimos anos, me distancio cada vez mais das grandes explicações universais e quero entender as minúcias de cada história empreendedora. Só para ilustrar sobre o que estou falando, deem uma olhada sobre o que significa ser empresária para oito dessas mulheres que nos contaram parte de suas histórias:

Olha, é gratificante. É uma sensação boa, e é uma sensação de uma coisa inacabada ainda. Inacabada porque ainda tem bastante coisa a ser feita, a gente ainda tem bastante sonho, bastante projeto, bastante vontade de modificar. Então, é uma sensação bem gratificante. Eu só não diria que eu confirmo que é uma realização inacabada, porque ainda a gente sempre está buscando mais. Mas se você for olhar para trás, a gente vê que a gente pode não ter crescido, tanto. Mas você olha, e você vê que você manteve, que você tem que você fez algumas bem feitorias. Então, isso aí é o que te deixa satisfeita vamos dizer assim.
Acho que ser empresária eu comparo com livre-arbítrio, em todos os sentidos. No sentido de você ter a possibilidade de trabalhar com o que você realmente ama e arcar com as consequências disso. De você ser uma empresária honesta ou de você ser uma empresária desonesta, e também arcar com as consequências de um lado ou de outro. De você ser uma empresária idônea ou não idônea e também arcar. E você ser uma empresária que pode eventualmente... a gente estabeleceu três fases, que é o que a gente quer que a empresa seja, que ela trabalhe na sua estrutura, na sua visão de empresa: cultura, educação e cidadania; são os três planos da empresa. E eu acho que ser empresária me permitiu trabalhar com as coisas que eu mais respeito.
Eu não era aquela que falava: “Vou ser empresária, empreender”. Quando eu fazia Administração todo mundo falava: “Vou abrir uma empresa. Eu falava: “Hum... Não, necessariamente!”. eu sou mais pé no chão, assim, acho. Ham... Mas eu ainda sonho em um dia poder ter uma equipe. Assim, debaixo da minha empresa, uma equipe, assim... Não sei se é uma utopia, mas de repente vai, neh? Uma equipe engajada, sabe? Aquelas pessoas, assim: “Puxa, eu adoro o que eu faço, eu ganho bem pra fazer, e eu não troco a empresa por nada”. Sabe aquele tipo de sentimento, é essa empresa que eu quero ter! Foi pra essa empresa que eu fiquei todos esses anos. Quando eu tinha minhas funcionárias eu pensava: “Eu quero que elas se sintam bem, eu quero que elas tenham um ambiente de trabalho gostoso, eu quero que elas ganhem bem”. Entendeu? Porque eu não quero ganhar sozinha. Sabe aquele sentimento? E eu, como eu tinha essa ideologia de trabalhar e de todo mundo ganhar pra todo mundo crescer, não dá certo, ou não deu certo. Mas eu ainda sonho com isso! Pra mim, isso é ser um bom empresário.
Ser empresária pra mim... Meu Deus do céu! É um redemoinho que chegamos para fazer dessa   maneira... O que é ser empresária?... Empresária, nossa! É estar no mercado. Eu acho que eu não sou aquela empresária autoritária, aquela coisa assim, sabe? Eu considero assim... A gente se considera ... muito mais parceiro das indústrias, a gente tem essa civilidade como uma, vamos dizer, uma beneficie, um foco, uma coisa por aí, uma cartilha mesmo. Eu acho que me considero muito mais uma parceira.
Me enxergar? Faz pouco tempo! Então é bem assim... Ser empresária é você ter essa afinidade em conseguir identificar quando alguma coisa está sendo feita de maneira errada, ou que você poderia identificar e fazer algo melhor e tentar transformar essa realidade. Essa é a autonomia de você ir lá e falar, isso aqui realmente pode ser feito assim, deve ser feito assado. De você poder tentar fazer diferente, errar porque logicamente a gente vai levar umas pauladas e vai tentar fazer as coisas de maneira diferente, e ter essa autonomia de não fazer assim, porque agora não deu certo, mas posso fazer de outro jeito. Eh... Você conseguir transformar vidas também, porque na minha empresa eu pego pessoas que estão ou se formando ou pra se formar e eu movo essas pessoas pra poder fazer  a empresa do jeito conciliado que inda tem muito essa coisa de paixão, de amor.
Eu amo de paixão desde que eu sou criança, desde os meus 15 anos quando eu comecei a trabalhar firme com meu pai eu sou apaixonada em conversar com gente, em entrar em contato toda hora com pessoas, eu não consigo me imaginar – a gente fala assim “nós temos o dinheiro do dia, do mês e do ano” – aquele dinheiro do mês, não consigo imaginar. Então essa movimentação financeira, esse contato direto com pessoas, isso sempre me encantou. E isso é o que eu vejo num empresário. Eu não sou aquele empresário por trás dos panos, eu aquele que está de cara.
Para mim ser empresária é uma pessoa que está sempre dentro do ramo dela, mas está sempre buscando novos horizontes, está sempre se atualizando. Eu acho que nós sempre procuramos isso, porque veja, nós estamos fazendo 50 anos de loja esse ano, em Cascavel, e eu acho que a gente ainda está sempre no topo, eu acho que nós estamos sendo empresários dentro do nosso ramo. Por exemplo, na imobiliária nós não acompanhamos tanto esse ritmo, e nem na construtora, porque surgiram novos grandes construtores, e ouve os booms aí. Mas na loja nós estamos sempre procurando modificar, agora estamos fazendo essa reforma imensa.
Primeiro eu acho que é conduzir todo o processo produtivo..., é o conduzir, é eu estar disposta a desenvolver todas as atividades. Para mim não é só coordenar o processo e delegar funções, é eu planejar, é eu executar o processo, eu estar inteirada de todo esse processo, ter um relacionamento com as pessoas que me dão esse resultado; acho que empresária é uma pessoa aberta à sociedade em que ela vive, acima de tudo. Porque se você for uma pessoa introvertida, isso vai causar um impacto negativo. E na mesma forma na condução dos seus funcionários, eu acho que você tem que ter essa abertura. Então desde a organização, planejamento, condução, administração; pra mim ela é um leque que se abre e que você tem que procurar atender esse grande leque. Ele é às vezes um pouco pesado, não é tão leve como o próprio leque.

Quando me deparei com esses depoimentos, fiquei maravilhado! Seja sincero comigo, faz sentido transformar esses depoimentos em alguma forma de medida? Eu me convenço cada vez mais que não! A busca das regularidades quantitativas nesse campo me diz tão pouco, fica na superfície daquilo que quero entender! É muito melhor eu ir montando um caleidoscópio de fragmentos históricos e cada vez que olhar para eles, conforme eu gire o caleidoscópio, uma nova figura se forma, uma nova compreensão que não substitui as anteriores, mas que se junta a elas nessa compreensão inacabada e continuamente em transformação que minha memória vai armazenando.

Muito parecido com o que uma delas disse: É uma sensação boa, e é uma sensação de uma coisa inacabada ainda. Inacabada porque ainda tem bastante coisa a ser feita, a gente ainda tem bastante sonho, bastante projeto, bastante vontade de modificar. Então, é uma sensação bem gratificante.

O que ficou evidente para mim, nesse momento, é que esses significados carregam uma alta carga de subjetividade, mas ao mesmo tempo revelam um compartilhamento emotivo em relação aos efeitos que essa escolha de carreira profissional significa para essas mulheres. Vai além da competência administrativa e de negócios e apresenta, no seu âmago, um conjunto de emoções que parecem dar significado à própria vida. É um processo contínuo, inacabado, em construção, onde se pratica o livre arbítrio, novos horizontes são buscados, tentar transformar para melhor a realidade. É gratificante, é paixão, é redemoinho, é um leque que se abre, é uma realização inacabada...

Agradeço a essas mulheres por terem nos contado o que pensam sobre ser empresária.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

1a Reunião do Grupo - Planejamento Geral do Grupo

Professor Gimenez. Foto: Cleverson
Pauta: 
- Boas vindas aos membros do grupo
- Calendário de Atividades do Grupo para o 2o Semestre 2013
- Design e Conteúdo do Blo- Atualização dos dados dos membros do grupo
- Assuntos Gerais

Boas vindas
O líder do Grupo Professor Gimenez deu as boas vindas a todos os membros do grupo e solicitou que cada um fizesse uma breve apresentação da sua experiência profissional e acadêmica e interesse de pesquisa.
Comunicou a todos que a Professora Jane Ferreira é vice-líder do Grupo.

Calendário de Atividades do Grupo 
A sugestão é que as reuniões do grupo aconteçam a cada 45 dias, sempre às 17h. As próximas seriam:
07 de outubro (segunda)
18 de novembro (segunda)
Design e Conteúdo do Blog
Nas próximas reuniões (ou via email) os membros poderão dar seus pitacos no design e sugestão de conteúdo

Atualização dos dados dos membros do grupo
Todos os membros do Grupo deverão  enviar para beatrizlanza@gmail.com, 
nome completo, endereço, telefones e  CPF.




Assuntos Gerais
- Registro da participação do Fórum Internacional em Empreendedorismo com Louis Jacques Filion
Projeto de Pesquisa 1 "Trajetória Empresariais Femininas" (Gimenez)
- Projeto de Pesquisa 2"......"  com dados secundários da base Pintec (FAPESP)
- Projeto de Pesquisa 3  "Como os empreendedores criam e mantem empreendimentos nas arenas esportivas"  (FAPESP)
- Projeto de Pesquisa 4 "Constituição da Subjetividade da Mulher Empreendedora" (Jane)
- Vinicius vai publicar artigo sobre as dificuldades de venda de empresas particulares.
- Submissão de Projeto "..." à Fundação Araucária
- Jane - Grupo de Trabalho com ações para os que estão empreendendo.
- Jane - voluntários para fazer análise de dados coletados do projeto "..." (usar modelo do artigo do Luciano e Nicole)
- Cleverson - projeto para reconstrução da identidade de um Grupo voluntário
- Cleverson - projeto para entender comportamento empreendedor, mudança de vida
- Luciano - tem a autorização para explorar base secundária do núcleo de empreendedor
- Luciano - atenção para o edital da Fundação Araucária
- Cleverson - aproximação da Janaína para coleta de dados.
Membros do grupo durante a reunião. Foto: Cleverson
Pauta para a próxima reunião
- Apresentação sobre McLelland (Gimenez)
- Design do Blog (Bia)

Tarefas
- Gimenez - ler McLelland  (Bia cobrar o processo de leitura. Rsss)
- Todos - enviar dados pessoais
- Bia - organizar o cadastro dos membros do grupo.

Presentes (10)
Fernando Gimenez
Jane Mendes Ferreira
Beatriz Barreto Brasileiro Lanza
Carlos Otavio Senff
Fabiola Jazar
Janaina Passos
Luciano Minghini
Luiz Eduardo de Araujo
Ricardo Enrique Pütz
Vinicius Atz